quinta-feira, 28 de julho de 2016

FOGO APAGOU

Uma hora ia acontecer. Tentativas não faltaram. Hoje finalmente conseguiram apagar a tocha olímpica, quando ela passava por Angra Reis. Um grupo de porfessores, justificadamente furioso com o atraso de seus salários, resolveu melar a festa e atrair a atenção do mundo para seu problema. Conseguiram, e também acenderam um debate na minha cabeça: cou contra ou a favor desse tipo de protesto? Como disse o Antonio Prata em sua crônica de domingo passado, a tocha não é do PMDB: é de Zeus, de João do Pulo (na verdade, foi o pai dele, o também escritor Mário Prata, quem falou isto, para convencer o filho a carregar a tocha em Itu). Mas é claro que muitos políticos querem tirar partido das Olimpíadas, a começar por Eduardo Paes - e não é engraçado que tantos outros agora fujam da cerimônia de abertura? Dilma, Lula, FHC, todos recusaram o convite, e é óbivo que estão com medo de serem vaiados. Mas voltando à tocha: apagá-la não implica em maiores problemas. Com cada uma que vai sendo segurada, seguem outras oito de reserva, todas acesas. Não é porque uma se extinguiu que os Jogos serão cancelados. Claro que eu acho uma lástima o evento acontecer justo num momento em que o Brasil está tão complicado, tanto na política como na economia. Era para ser nossa festa de debutante no Primeiro Mundo, não para nos dividirmos ainda mais. Mesmo assim, ainda sinto que vamos sair no lucro. Isto é, se ninguém ganhar o tal do Bolão do Terrorismo.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

NUM LAGO DOURADO

Fuçando no Apple Music, descobri um cantor francês que eu ainda não conhecia: Julien Doré, revelado em 2007 pelo programa "Nouvelle Star" - a versão local do "Idols". O novo single do rapaz ainda nem tem vídeo completo (aí acima está o trailer), mas seus sucessos antigos também me seduziram. Se bem que não o suficente para eu esquecer do Biolay. Fisicamente, Doré fait pas mon genre.

TÁ NA HORA DE FAZER HISTÓRIA

O Nickelodeon é um canal infantil muito mais moderno do que qualquer um da Disney. Não é de estranhar que o primeiro casal gay dos desenhos animados tenha surgido lá. Foi semana passada, num episódio de "Loud House": o sr. McBride e o sr. McBride levaram o filho para dormir na casa do amigo, numa sqequência que não fez menção ao fato deles serem do mesmo sexo (e de raças diferentes, wuhuu). Claro que tem gente reclamando, mas isto é tão importante quanto dinossauros se queixando de que a lama está movediça demais.

(Obrigado pela dica, João Fernando)

terça-feira, 26 de julho de 2016

JÁ COMEU CANGURU?

Procurando na internet uma imagem para ilustrar este post de domingo passado, esbarrei num site curioso: o da Paroo Premium Kangaroo, uma empresa da Austrália especializada na produção e venda da carne do animal-símbolo daquele país. não é só ela. Uma pesquisinha mais e descobri que não é difícil encontrar nos supermercados de lá cortes nobres, pedaços da cauda e até salsichas (kanga bangas!). Para nós, que temos quase toda nossa fauna protegia por lei, pode soar estranho comer o bicho que está até mesmo no brasão nacional. Mas esses cangurus são criados em fazendas, assim como os jacarés que frequentam algumas das nossas mesas. Será que eu conseguiria sublimar a fofura desses marsupiais e me deliciar com sua carne, que é 98% sem gordura e deve ser mais dura que a da avestruz? Siiim, nhac nhac.

COISAS FAMILIARES

Sim, eu também me rendi a "Stranger Things". Ainda não vi os dois episódios finais, mas já sei o suficiente para cometer uma coluna no F5. O segredo da série é ser déjà vu all over again: não tem nada de novo, mas tudo o que tem é bom. Só faltaram as ombreiras e o Jeff Stryker para eu voltar de vez aos anos 80.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

SHARIFF DON'T LIKE IT

Leonid El Kadre de Melo, o último zé mané do grupo "Defensores da Sharia" que ainda estava foragido, foi preso no Mato Grosso com esse visual bem pouco halal: cabelos longos, barba rala e camiseta rock'n'roll. Isso não dá decapitação, califa?

QUE HORAS ANNA VOLTA?


Anna Muylaert fez um dos meus filmes brasileiros favoritos de todos os tempos, "É Proibido Fumar". Ano passado ela quase emplacou no Oscar com "Que Horas Ela Volta?", de que eu gostei com ressalvas. E agora reaparece com "Mãe Só Há Uma", onde recai no mesmo problema que comprometeu seu trabalho anterior: antagonistas caricatos. Os patrões de "Que Horas..." eram vilões de desenho animado, o que enfraquecia um dos conflitos da trama (o outro, da mãe com a filha, era forte). Acontece coisa parecida neste novo filme, o que põe a perder o excelente argumento. O ponto de partida é o famoso "caso Pedrinho", onde um adolescente descobria que havia sido roubado na maternidade e precisava se adaptar à família biológica (e que inspirou também a novela "Senhora do Destino"). Mas aqui há um twist: o rapaz é meio trans, ou pelo menos curte um vestidinho de vez em quando. Seus pais verdadeiros, que o procuraram durante anos, vão ter que lidar com isto - só que não. Mais uma vez,  o roteiro resvala para a superficialidade, e o espectador não tem como se emocionar com os dois lados da questão. Nem o fato da mesma atriz, Dani Nefussi, fazer ambas as mães, ajuda. Para piorar, o pai machão é feito por Matheus Nachtergaele: um ótimo ator, mas um erro épico de casting para este papel. Fico torcendo para Anna Muylaert voltar à plena forma no próximo filme.

domingo, 24 de julho de 2016

O CANGURU PERNETA

Juro que eu estou torcendo muito para a Olimpíada do Rio dar super certo. Lembro do que aconteceu na Copa de 2014: quem passou vexame foi a nossa seleção, não a organização do evento (tirando aquela horrenda festa de abertura, é claro). Mas as notícias que vêm chegando não são boas, Primeiro teve os soldados do Exército, acomodados em apartamentos onde faltava tudo. O escândalo nem foi grande, porque afinal eles são brasileiros pobres e portanto deveriam estar acostumados a se foder. Mas hoje está todo mundo com vergonha, porque diversas delegações de atletas reclamaram das condições da Vila Olímpica. A da Austrália simplesmente preferiu ir para um hotel, e o prefeito Eduardo Paes - que vem se especializando em dar foras - disse que colocaria um canguru na porta do prédio, para os australianos se sentirem à vontade. Imagine a repercussão que essa estupidez deve estar tendo do outro lado do mundo...

NO FUNDO DO POÇO


"Um Dia Perfeito" foi lançado sem muito alarde por aqui, apesar do elenco hollywoodiano e dos prêmios que ganhou. Talvez porque seja um filme espanhol, embora falado em inglês. O tema também parece datado: toda a ação se passa ao longo de 24 horas num país sem nome dos Bálcãs, um dos muitos nos quais a Iugoslávia se desintegrou nos anos 90. Aquelas guerras bárbaras, onde vizinhos se voltaram contra vizinhos, me fizeram perder ainda mais a fé na humanidade, e este é um dos temas centrais do filme: vale a pena tentar se ajudar, quando as pessoas querem mesmo é se matar umas àsn outras? A resposta é sim, vale, mas não é risonha e franca. O roteiro (adaptado de um livro) ganhou um Goya, o Oscar da Espanha, e parte de uma premissa simples: um grupo de voluntários estrangeiros quer retirar um cadáver de um poço, antes que que ele contamine a água consumida por uma aldeia. O que se segue poderia ser chamado de comédia de erros, se fosse engraçado. Mas há um certo humor, e também há Benicio del Toro melhorado pelos anos. "Um Dia Perfeito" não é, aham, perfeito, mas é um bom contrapeso nessa temporada de férias escolares.

sábado, 23 de julho de 2016

ADESÕES E DESISTÊNCIAS

- John Kasich, o governador de Ohio que foi o último rival de Trump a cair durante as primárias, conta que foi convidado para ser o vice do candidato republicano. "The Donald" teria lhe oferecido praticamente tudo: toda a formulação das políticas interna e externa. Mas o que sobraria para o  presidente, então? "Make America great again", respondeu o topetão. Mesmo assim, Kasich mostrou que tem dignidade e não topou. Trump conseguiu entregar o posto de vice em sua chapa para um sujeito ainda mais escroto do que ele: Mike Pence, o governador de Indiana, um dos maiores inimigos das guei nos Estados Unidos.

- Hillary Clinton, por sua vez, decepcionou as berniedettes ao convocar o senador Tom Kaine, da Virginia, para ser seu vice. Católico e contra o aborto, o cara é um dos democratas mais conservadores. Não vibrei com essa escolha, mas ela faz sentido politicamente: Hillary precisa seduzir os brancos héteros do interior, o segmento que lhe escapa. Mas é decepcionante perceber que os dois vices dessa eleição americana estão à direita dos titulares. O mundo está mesmo se boçalizando.

- Aqui no Brasil, Romário desapontou de vez os que um dia acreditaram que ele seria um político decente. O ex-jogador abandonou sua candidatura à prefeitura do Rio de Janeiro para apoiar a do "bispo" Marcelo Crivella, da Universal - e isto depois de ter flertado com o gatíssimo Alessandro Molon da Rede. Quanta coerência ideológica, não é mesmo? Pois é, acho que podemos dar a descarga no peixe.

- Em São Paulo, o Infeliciano também saiu do páreo para apoiar Celso Russomano. Mais uma razão para não votar no "patrulheiro do consumidor". Andrea Matarazzo também ameaça largar a corrida e se juntar a Marta Suplicy. Simpatizo com ambos, mas votar no PDMB? O partido de Cunha, Calheiros e Sarney? Nem morta. Ah, e antes que me ataquem: também simpatizo com o Haddad, mas votar no PT? Nem morta. Acreditem, rapeize, tá pintando que eu vou mesmo é de Erundina. Alôka.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

ALICE NO PAÍS DAS QUADRILHAS


Quais as séries que você está acompanhando agora? Abriu-se um vácuo em minha vida depois que terminou a sexta temporada de "Game of Thrones". Aí vi a segunda de "Marco Polo" e estou no meio da quarta de "Orange is the New Black", mas essas já eram conhecidas. A novidade do momento é "A Rainha do Sul", a quem eu dei uma chance só por causa da Alice Braga. E não é que ela está ótima? A sobrinha da Sonia é tão estrela quanto a tia, com a vantagem de falar um inglês perfeito desde pequena. Ela está esplêndida num papel baseado numa história real, que já rendeu uma novela mexicana do mesmo nome. A trama em si não traz muitas novidades para quem já viu "Narcos" ou os trocentos filmes sobre traficantes que brotaram na última década, embora o ritmo seja sempre intenso. Não estou amaaando, mas até agora não perdi nenhum episódio. E lanço aqui o desafio: quero ver transformarem nos comentários um post inocente sobre um seriado bacaninha em mais uma batalha sangrenta entre coxinhas e mortadelas.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

PAU QUE NASCE TORTO...


Sei que é séria a ameaça representada por esse grupelho de imbecis que foram presos hoje. Já disse aqui no blog que o Brasil tem que parar de fingir que é um oásis à parte do resto do mundo. Mas, como cantava o sábio Compadre Washington, pau que nasce torto nunca se endireita. E o deboche é uma das melhores armas contra os fanáticos do EI. Foi por causa dele que atacaram o Charlie Hebdo, e tudo o que conseguiram foi fortalecer o jornal. Portanto, que venham com bombas que nós responderemos com o nosso Bin Laden, o MC.

COMBINARAM COM OS RUSSOS?

Não acho que correr 100 metros em menos de 10 segundos seja uma grande conquista da humanidade. Não ligo se alguém pedala mais rápido, levanta mais peso ou marca mais gols que outro alguém. Ou seja, não estou nem aí para a maioria dos esportes olímpicos (gosto de ver a ginástica...). Para mim, pouco importa se o atleta estava dopado ou não: o que é que eu ganho se ele bater um recorde? E faz algum sentido proibir o uso de substâncias, quando esses caras são treinados desde o berço para se tornarem os melhores em suas categorias, levando vidas diferentes das pessoas comuns? Tem um lado meu que é a favor do liberou-geral. Quem quiser tomar um negocinho para melhorar sua performance, que tome - e se morrer depois, bem feito, quem mandou? O fato é que as Olimpíadas são um grande teatro, onde patrocinadores e alguns países gastam fortunas para dar a ilusão de que esses supostos super-homens trazem algum benefício para o resto de nós. Por outro lado, a Rússia vem se revelando um  país horrendo em mais de um sentido, então é justo que esses pilantras fiquem fora da Rio-2016. OK, o esporte é um ótimo substituto para a guerra, e costuma fazer bem à saúde. Mas ainda me emociono mais com quem faz uma descoberta científica, escreve um bom livro ou inventa um novo sabor de sorvete.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

OU SE CONVERTE, OU MORRE

O "bispo" Marcos Klein tirou uma selfie com Jean Wyllys dentro de um avião só para "colocar minhas mãos sobre ele e profetizar: ou se converte, ou morre". Que azar o dele, hein? Porque eu não preciso pegar em ninguém para profetizar: esse bispo é uma bichona enrustida e já arde em seu inferno particular. Repara só na sobrancelha delineada - nem a do Infeliciano chega a este requinte. Como disse o psicanalista Francisco Daudt em sua coluna na Folha de hoje, "não existem homofóbicos entre héteros absolutos". Ou seja, vai procurar rola, "bispo", vai.

DIREITA BICHADA

Milo Yiannipoulos foi banido do Twitter. Quem? Perdoe minha ignorância, mas eu nunca tinha ouvido falar no darling da alt-right (direita alternativa, veja só) até esse caso do bullying racista sofrido pela atriz Leslie Jones, da nova versão de "Caça-Fantasmas". Tudo começou quando Milo postou uma crítica depredando o filme e acusando-o de fazer mau humorismo feminista. Seus comentários depreciativos sobre Leslie (ela seria "unappealing") serviram de senha para que seus seguidores atacassem a moça no Twitter com fotos de gorilas e outras delicadezas. O próprio Milo entrou na briga, e consta até que falsificou alguns tuítes da atriz. A coisa ficou tão feia que ele acabou sendo expulso da rede social. Isto depois de ter sido bloqueado várias vezes, e ter se metido em poliemcias diversas ao longo de sua curta carreira. Milo nasceu na Grécia mas vive em Londres desde pequeno, e escreve muito bem; é católico, desbocado, gay assumido e conservador. Também é racista, apesar de declarar sua preferência por "black cock". Claro que é um racismo emplumado, disfarçado de liberdade de expressão, mas racismo não menos. Para completar, o cara apoia Donald Trump - e aí, não tem texto engraçadinho que salve. A alt-right quer ser a versão punk do direita, mas já nasce bichada pelo preconceito e pela burrice. Eca.

terça-feira, 19 de julho de 2016

LEVANTE A MÃO SE VOCÊ PLAGIOU

Surgiu uma teoria deliciosa para explicar o discurso de Melania Trump na convenção republicana, chupado diretamente de Michelle Obama. Foi vingança de Corey Lewandovski, o marqueteiro recém-demitido pelo candidato. Ele ainda tem asseclas fiéis trabalhando na campanha de Trump, e um deles teria cometido essa ligeira sabotagem. De qualquer forma, está mais uma vez comprovado o despreparo e o improviso do milionário e sua entourage. Resta saber se isto afetará seus índices nas pesquisas, que vêm se aproximando perigosamente dos de Hillary Clinton.

O LOOPING DO WHATSAPP

E lá vamos nós de novo. Pela 3a. vez em menos de um ano, um juiz tira o Whatsapp do ar por causa de uma investigação policial. A atitude é anacrônica, a reação é patética: gentem, a vida não parou por causa disso! Como a situação é recorrente e eu não tenho mais nada a dizer sobre ela, reproduzo abaixo o texto de um post de dezembro de 2015, durante o primeiro bloqueio do aplicativo no Brasil:

Ainda somos um país de botocudos. Nações mais sérias só bloqueiam serviços de mensagens em caso de ameaça terrorista ou coisa que o valha. Aqui basta um único juiz cuidando de um único caso para tirar do ar o WhatsApp, prejudicando milhões e milhões de pessoas. Se a moda pega, daqui a pouco voltaremos a ter vereadores do interior exigindo que toda a internet saia do ar, só para ele não ser criticado nas redes sociais. Nossa cultura é pior que autoritária: é feudal, é medieval. Por outro lado, é absurda a dependência da galera. Uai, no telefone docêis num tem mais SMS? Que agora também manda mensagens pela internet? E o Messenger do Facebook, cêis num usa? E o Telegram, o favorito do Estado Islâmico? De qualquer forma, me espanta essa situação ainda não ter sido normalizada. Mas não deveria: afinal, em que país que estamos mesmo?

segunda-feira, 18 de julho de 2016

AEROAPERTO

A Olimpíada já tem um legado positivo: está conseguindo com que o Brasil finalmente se dê conta de que faz parte do mundo. Só que esse mundo não é lindo e confortável como a bolha onde imaginávamos viver. Tem bomba, tem caminhão desgovernado, tem gente marvada. E assim, a pouco mais de duas semanas da abertura do evento, achamos que talvez estivesse na hora de implantar procedimentos de segurança nos voos domésticos que já são rotina na maioria dos países. Como o Brasil mudou mas nem tanto, instaurou-se o caos nos nossos aeroportos nessa manhã de segunda. Os passageiros continuaram chegando em cima da hora dos voos, os funcionários não foram bem treinados e o resultado foram filas de descer escada. É preciso que todo mundo se organize melhor, e lembre que essa rotina chegou para ficar. Não temos como voltar para a bolha depois dos Jogos.

O DIREITO DE MORRER


A Suíça é um dos poucos países do mundo que permite o suicídio assistido. Existem até duas ONGs famosas, a Dignitas e a Exit, especializadas em acompanhar pacientes terminais que preferem abreviar seu sofrimento. Era inevitável que esta peculiaridade nacional rendesse ficção algum dia. O protagonista de "La Vanité", um raro filme suíço a estrear no Brasil, é um homem idoso que quer por fim à própria vida, e por isto procura ajuda. Quase toda a ação se passa num quarto de motel, onde ele recebe a assistência de uma voluntária espanhola e o testemunho de um vizinho de quarto, um garoto de programa eslavo. Essa concentração no tempo e no espaço lembra uma peça de teatro, com bom texto e bons atores. "La Vanité" é bem curtinho - dura só uma hora e 15 minutos - mas trata de questões delicadas e profundas. Uma versão bem mais amarga de "Como Eu Era Antes de Você", mas ainda com momentos engraçados. Quem tem coragem?

domingo, 17 de julho de 2016

LIBERTÉ, LIBERTÉ

A série "Versailles" conta uma história totalmente francesa - as intrigas da corte de Luís XIV, o Rei-Sol - mas foi gravada em inglês para facilitar sua carreira internacional. Estreou na França em novembro do ano passado e chega aos Estados Unidos em outubro. Por aqui, ainda não sei de nada. Só sei que, como é de rigueur nos tempos que correm, tem cenas de sexo entre rapazes.

MINAS TRANS

Trem muito bão essa iniciativa da Secretaria de Direitos Humanos de Minas Gerais, em parceria com a ONU. Mas, pela duração do filme (1'17"), me parece que está sendo veiculado só na internet. Precisa passar na televisão também, uai.

sábado, 16 de julho de 2016

ERA GOLPE

A Turquia moderna foi fundada pelo exército. Foi um grupo de jovens oficiais que, terminada a 1a. Guerra Mundial, depôs o último sultão otomano e proclamou a república. O líder da turma, Mustafa Kemal, fez com que o novo estado fosse totalmente laico e ainda trocou o alfabeto árabe pelo latino. Ganhou o apelido de Atatürk, o pai dos turcos: seu retrato está até hoje por toda parte, das lojinhas dos bazares às cédulas de dinheiro. Os militares ainda formam a insitutição mais poderosa do país, e promoveram vários golpes de estado ao longo do século 20. Mas não estavam unidos nessa tentativa desastrada de derrubar o presidente Recep Erdogan. Os rebeldes tampouco contavam com apoio popular: apesar dos desmandos e da corrupção desvairada, o proto-ditador turco ganha todas as eleições há mais de uma década. A razão disto é a economia, cada vez mais forte. E gente com dinheiro no bolso aguenta muita coisa, inclusive censura à imprensa, prisões políticas e atentados em série. Outro dia suspeitei que o próprio Erdogan estivesse por trás do ataque no aeroporto de Istambul; agora também aposto qe ele irá usar esse golpe frustrado para se eternizar no poder. Ele merecia ser derrubado, mas não pela força das armas. E não é divertido ver o mundo inteiro condenando essa quartelada na Turquia, menos o Brasil?

sexta-feira, 15 de julho de 2016

CRETINICE

Foi um strike de boliche o que aconteceu em Nice: pelo menos 84 mortos, entre os quais 10 crianças. Não há diferença cultural ou revanchismo histórico que jusifique essa matança. Que não poderia ter vindo numa hora pior: mais países podem querer sair da União Europeia, e Donald Trump está encostando em Hillary Clinton nas pesquisas. O Brasil também precisa parar de fingir que o terrorismo é problema dos outros. Somos a turma do deixa-disso e adoramos dizer que todas as raças convivem em harmonia por aqui, mas isso não é razão para menosprezar o perigo. A segurança da Olimpíada já está sendo revisada, e mesmo assim pode não adiantar nada. Porque esses assassinos sempre descobrem uma maneira simples e inesperada de matar mais gente, como esse caminhoneiro de Nice. Cadê o engajamento dos muçulmanos, que também são as maiores vítimas de seus fundamentalistas? Parece que o mundo está indo à matroca nesses últimos dois anos, com o avanço internacional de novas formas de fascismo. Até a enxurrada de mortes de celebridades faz suspeitar de alguma desordem cósmica. Mas o problema está aqui mesmo, e ninguém sabe como resolvê-lo. Só sei que eu estou de saco cheio.

O MAIS BRASILEIRO DOS ARGENTINOS

Nenhum outro cineasta brasileiro fez tantos filmes de que eu gostasse tanto. E Hector Babenco nem era nascido no Brasil: talvez por isto mesmo ele tivesse o olhar crítico que proporcionou suas primeiras obras-primas, "Lúcio Flávio" e "Pixote". Outras vieram, mais internacionais, em inglês ou espanhol, mas sempre contundentes. Só não adorei seus trabalhos autobiográficos. Neles Babenco não usava o mesmo olhar crítico que nos outros filmes, mas isto não diminui sua importância. Ele também era excelente diretor de teatro, especialmente quando trabalhava com sua amada Bárbara Paz. Pena que a doença não tenha permitido que sua filmografia tenha sido ainda maior, e o fragilizado a ponto de ter tido uma parada cardíaca depois de uma cirurgia simples. Pelo menos, consta que ele estava numa fase tranquila e feliz.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

DOS MAIAS, O MENOR

As voltas que o mundo dá: quem diria que, a essa altura do campeonato, eu estaria torcendo por Rodrigo Maia para a presidência da Câmara. Sim, eu também preferia a Erundina neste posto, porque ela era a única entre os trocentos candidatos com alguma moral para conduzir os trabalhos. Mas quando o segundo turno se definiu entre Rogério Rosso, que tem pinta de galã mas é da gangue de Eduardo Cunha, e o filho de César Maia, não tive muitas dúvidas. Rodrigo parece a versão adulta do Bolinha, é coxinha até na alma e está num partido ameaçado de extinção, o DEM. Apoiou Cunha até o penúltimo segundo, mas depois surgiu como um nome de consenso para comandar a cassação do tinhoso. Rodrigo Maia tem pretensões ainda maiores, e sabe que seu futuro político depende do que fizer nesses próximos meses. Estamos de olho. We are of eye.